
Uma viagem ao Quénia mais profundo
Reserva Florestal Maasai Mau | 0 comentarios.
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na minha perspectiva, é importante distinguir duas categorias: a de turista, que percorre caminhos pré-determinados, que mostram algumas belezas sugestivas e hotspots paisagísticos ou outros mas que surpreendem pouco, porque tudo se prepara, tudo se faz para se trazer o ambiente de casa connosco; o viajante é mais ousado, percorre rotas que levam ao desconhecido, afasta-se de casa e dos modos de vida quotidianos, dos seus objectos, dos seus hábitos e costumes. O viajante procura descobrir o desconhecido.
A minha viagem ao Quénia integra-se nesta última categoria. Com oebjectivos científicos, não deixei de desfrutar de uma das paisagens mais enigmáticas e de uma experiência única na descoberta de lugares remotos ainda pouco trilhados por visitantes.
A viagem de Amesterdão a Nairobi não trouxe novidades. A estadia na capital deste país africano não surpreendeu. É uma cidade grande, com cerca de 3 milhões de habitantes, mas com fortes contrastes de desenvolvimento. Existem os hoteis de luxo, que apoiam o início dos safaris, mas existem também os bairros clandestinos e degradados, como Dondora, as lixeiras a céu aberto e o trânsito infernal que, para um europeu, obedece a poucas regras. Nesta cidade, é fácil encontrar também os símbolos do país independente, os edifícios governamentais e os espaços de glorificação do primeiro presidente.
A viagem em direcção a Noroeste começa a surpreender. Primeiro pelas estradas quase inexistentes. A entrada no Rift Valley é um esplendor de geomorfologia: uma paisagem aberta e uma fractura alinhada por duas barreiras, ao longo das quais encontramos a cidade de Narok. Pequena, remota, longínqua, poeirenta. Aqui deixamos a África urbana e europeia e aproximamo-nos da África mais genuina: com a sua beleza mas também com os problemas de desenvolvimento que caracterizam este país. A estadia em narok demoraria alguns dias: a partir daqui partiu-se para a descoberta de lugares ainda mais remotos. As estradas tornaram-se piores, os percursos, ainda que mais curtos, levaram mais tempo a percorrer. De Narok partiu-se, numa sucessão de idas e regressos a esta cidade, para a Reserva Florestal e para as aldeias circundantes: a beleza paisagística é impressionante, a população, receosa no início, abriu-se depois. Encontrámos uma população de agricultores, de criadores de gado, de comerciantes de pequenos objectos. Entrámos ainda na floresta: fechada, escura, húmida. Nela encontrámos um grupo de habitantes, que vivem da madeira e de alguma agricultura. A recepção foi, no início, desconfiada. Tornou-se calorosa depois. O grupo de Kalenjins poucos contactos ainda tivera com o exterior. Ainda assim, o diálogo acabou por ser fácil. No regresso, fomos conduzidos pelo chefe da aldeia até aos limites da mesma. De regresso a Narok e depois, por Nakuru, em direcção a Nairobi, completámos um circuito que fez de nós um verdadeiros viajantes. Pelo que surpreendeu e pela fuga aos roteiros normais. É sempre bom conhecer o outro e enriquecedor para as nossas personalidades ir mais além e fazer rotas desconhecidas. Neste percurso encontrámos um denominador comum, a única simbologia globalizada: o futebol. Todos conhecem os clubes, os jogadores, as selecções. As camisolas de futebol circulam, mesmo em lugares sem electricidade, telefone, internet e outros instrumentos da modernidade. |
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